domingo, 3 de fevereiro de 2013

Retrato de uma vida comum e solitária !


Sugestão de música para acompanhar o post:

Led Zeppelin - Rock And Roll


Cada vez que sai na rua, indo ou voltando do trabalho com seu mp3 nas alturas e um par de óculos escuros espelhados, ela busca no rosto, no corpo, no sorriso, no olhar de cada um dos homens com quem cruza, um amor, uma paixão, uma nova razão.
A cada dia, elege um como seu mais novo amor.
E a escolha é feita assim, na hora! Bateu o olho e já sabe que, naquele dia, não viu e nem verá algo parecido.

Sua mente parece um roteiro de comédia romântica enlatada podre hollywoodiana. Imagina-se em lugares com o novo amor, cria apelidos, dá nome aos futuros filhos. Questiona-se sobre qual seria o estilo de música que ele gosta, de locais que frequenta, de amigos que têm, de comidas preferidas, as características positivas e negativas que possui, e pensa se todo esse pacote imaginário daria certo com seu jeito.
Quando percebe, já está na porta de sua casa.

Neste momento, depois de sua mente tanto criar, a imagem do novo amor já está embaçada, fora de foco, sumindo a cada segundo.
E por mais esforço que faça, a sua mente já viajou tanto nas suposições criadas sobre um novo amor, uma nova relação, que não consegue mais visualizar seu amado.
E o amor acaba.
Assim, como começou.


Em casa: liga o computador, abre a geladeira, pega uma garrafa de água, enche um copo até a metade (sempre até a metade), deixa o copo ao lado do computador enquanto toma um banho rápido. Depois, só computador. Não conhece nenhum dos seus amigos virtuais. É chat, blog, twitter, orkut, facebook, Msn.
E nada é real.


Antes de dormir, toma as pilulas de suplemento alimentar, liga a TV em algum reality show e bebe dois copos de Whisky. Quando se dá conta, o alarme do celular está tocando e já é hora de ir mais uma vez para o trabalho.

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