Uma das principais razões para que eu, apesar de ter sido batizado na religião budista, nunca tenha me conectado com nenhuma religião específica é a enorme hipocrisia que considero haver dentro das instituições religiosas. Os discursos de 'amor ao próximo' e 'sempre perdão' da boca pra fora. Os dogmas safados que existem como mecanismo de manutenção de fiéis, e que nunca são cumpridos pelas pessoas. A punição que as pessoas se impõe como objetivo para alcançarem coisas que não estão nem um pouco ligadas... não acho que ter fé seja algo ruim, negativo, não me entenda mal, mas acho que o papel original da religião de dar respostas e caminhos para as pessoas não é e nunca foi os executados por aqueles que comandam as instituições.
Uma pessoa dizer que o casamento gay, a liberação da maconha, o aborto não podem ser liberados porque vai contra a vontade de Deus... pelo amor do mesmo né?! Mande-o então descer aqui e dizer que esta é a vontade dele. Ou então diga que este é o SEU pensamento, e não o de Deus.
O que é que a liberação de uma planta, que em muitos casos é usada sim como tratamento médico e ajuda a reverter casos graves de questões alimentares, depressões, doenças crônicas, pode causar para o outro que não conhece a planta, ou conhece por ouvir um outro falar mal? Por que é que o casamento de duas pessoas do mesmo sexo gera uma intolerância tão grande nas pessoas? O quê que tem de ruim nisso? Principalmente se as duas pessoas não tem nada a ver com você? Cadê aquele discurso de amor ao próximo? O discurso do respeito?
Eu não acredito no Deus onipresente, onisciente e onipotente, que está te vigiando a todo instante e que, a um erro seu, lhe mandará para o inferno, como o criado por algumas religiões. Para mim, o Deus está dentro de cada um, no seu espírito, na sua alma. Mas acho que a maioria das pessoas estão mais preocupadas com o pensamento dos outros e a aceitação dos outros para parar um pouco e refletir por si próprio, estabelecer VOCÊ aquilo que realmente pensa sobre valores, moral, certo e errado, como os niilistas. E esse Deus no qual eu acredito, acompanha as experiências que você teve, te ajuda nessa reflexão necessária para que se possa compreender de fato quem somos e o que pensamos, ao invés de nos massificar, botando-nos a cantar musiquinhas vendendo um discurso retrógrado, pequeno, de intolerância e preconceito (e que muitas vezes as pessoas não enxergam a contradição no meio de tudo isso).
As religiões nasceram pois as pessoas precisavam acreditar numa razão para sua existência, nasceu para ajudar as pessoas a explicar algumas coisas inexplicáveis, ou seja, veio de uma demanda da sociedade para com a sociedade. Mas nos 21 séculos que tivemos após o dito do homem que foi pendurado na cruz a igreja matou, silenciou e comandou o pensamento das pessoas, guiando-as por meio dos interesses daqueles que comandavam as instituições. Lembram da inquisição? Lembram de Hitler? A demanda deles não foi para com a sociedade, pois mataram inúmeras pessoas para atingir seus objetivos.
Refletindo junto a meu Deus sobre toda essa situação, fico com a nítida impressão de que juntar política e religião, como nosso 'amigo' Marco Feliciano está praticando, só resultaria em mais contradições, imposições, intolerâncias e um amargo regresso para um país que está só agora, 500 anos depois do início de seu grande povoamento e criação de identidade, conseguindo colocar a cabeça para fora da água para poder respirar.
Diferentemente de religiões, o niilismo pode ser considerado um movimento positivista, quando pela crítica e pelo desmascaramento nos revela a abissal ausência de cada fundamento, verdade, critério absoluto e universal e, portanto, convoca-nos diante da nossa própria liberdade e responsabilidade, agora não mais garantidas, nem sufocadas ou controladas por nada e por ninguém. Cada um estabelece seus valores, cultura, moral, e com eles, vive. Nele, tudo é sacudido, posto radicalmente em discussão. A superfície, antes congelada, das verdades e dos valores tradicionais está despedaçada e torna-se difícil prosseguir no caminho guiado, tem-se que construir, cada indivíduo, o seu.
AMÉM?!
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