sexta-feira, 5 de abril de 2013

God and Drugs


Uma das principais razões para que eu, apesar de ter sido batizado na religião budista, nunca tenha me conectado com nenhuma religião específica é a enorme hipocrisia que considero haver dentro das instituições religiosas. Os discursos de 'amor ao próximo' e 'sempre perdão' da boca pra fora. Os dogmas safados que existem como mecanismo de manutenção de fiéis, e que nunca são cumpridos pelas pessoas. A punição que as pessoas se impõe como objetivo para alcançarem coisas que não estão nem um pouco ligadas... não acho que ter fé seja algo ruim, negativo, não me entenda mal, mas acho que o papel original da religião de dar respostas e caminhos para as pessoas não é e nunca foi os executados por aqueles que comandam as instituições.
Uma pessoa dizer que o casamento gay, a liberação da maconha, o aborto não podem ser liberados porque vai contra a vontade de Deus... pelo amor do mesmo né?! Mande-o então descer aqui e dizer que esta é a vontade dele. Ou então diga que este é o SEU pensamento, e não o de Deus.
O que é que a liberação de uma planta, que em muitos casos é usada sim como tratamento médico e ajuda a reverter casos graves de questões alimentares, depressões, doenças crônicas, pode causar para o outro que não conhece a planta, ou conhece por ouvir um outro falar mal? Por que é que o casamento de duas pessoas do mesmo sexo gera uma intolerância tão grande nas pessoas? O quê que tem de ruim nisso? Principalmente se as duas pessoas não tem nada a ver com você? Cadê aquele discurso de amor ao próximo? O discurso do respeito?
Eu não acredito no Deus onipresente, onisciente e onipotente, que está te vigiando a todo instante e que, a um erro seu, lhe mandará para o inferno, como o criado por algumas religiões. Para mim, o Deus está dentro de cada um, no seu espírito, na sua alma. Mas acho que a maioria das pessoas estão mais preocupadas com o pensamento dos outros e a aceitação dos outros para parar um pouco e refletir por si próprio, estabelecer VOCÊ aquilo que realmente pensa sobre valores, moral, certo e errado, como os niilistas. E esse Deus no qual eu acredito, acompanha as experiências que você teve, te ajuda nessa reflexão necessária para que se possa compreender de fato quem somos e o que pensamos, ao invés de nos massificar, botando-nos a cantar musiquinhas vendendo um discurso retrógrado, pequeno, de intolerância e preconceito (e que muitas vezes as pessoas não enxergam a contradição no meio de tudo isso). 
As religiões nasceram pois as pessoas precisavam acreditar numa razão para sua existência, nasceu para ajudar as pessoas a explicar algumas coisas inexplicáveis, ou seja, veio de uma demanda da sociedade para com a sociedade. Mas nos 21 séculos que tivemos após o dito do homem que foi pendurado na cruz a igreja matou, silenciou e comandou o pensamento das pessoas, guiando-as por meio dos interesses daqueles que comandavam as instituições. Lembram da inquisição? Lembram de Hitler? A demanda deles não foi para com a sociedade, pois mataram inúmeras pessoas para atingir seus objetivos.
Refletindo junto a meu Deus sobre toda essa situação, fico com a nítida impressão de que juntar política e religião, como nosso 'amigo' Marco Feliciano está praticando, só resultaria em mais contradições, imposições, intolerâncias e um amargo regresso para um país que está só agora, 500 anos depois do início de seu grande povoamento e criação de identidade, conseguindo colocar a cabeça para fora da água para poder respirar.
Diferentemente de religiões, o niilismo pode ser considerado um movimento positivista, quando pela crítica e pelo desmascaramento nos revela a abissal ausência de cada fundamento, verdade, critério absoluto e universal e, portanto, convoca-nos diante da nossa própria liberdade e responsabilidade, agora não mais garantidas, nem sufocadas ou controladas por nada e por ninguém. Cada um estabelece seus valores, cultura, moral, e com eles, vive. Nele, tudo é sacudido, posto radicalmente em discussão. A superfície, antes congelada, das verdades e dos valores tradicionais está despedaçada e torna-se difícil prosseguir no caminho guiado, tem-se que construir, cada indivíduo, o seu.

AMÉM?!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Copo meio cheio ou meio vazio ?

Sugestão de música para acompanhar o post:
Capital Inicial - O Lado Escuro da Lua

Acordei num sobressalto. O abajur ainda está acesso, assim como o computador, ligado. Eu estou com as roupas de ontem, mas já são quase 10 horas da manhã. Lembro que dormi assistindo Dexter. Ele estava indo matar um cara, mas não sei o que aconteceu. Acho que, por ele ser um serial killer e ter uma média de quase um assassinato por episódio, matou o cara sim. O PC ta ligado...

Face. Inbox.

Ela sempre lembra dos detalhes das nossas conversas. São raras as pessoas que prestam atenção. Mesmo eu sabendo que não tem a mesma intenção. E a música é boa. De novo. Damn girl!!

Penso na discussão do copo meio cheio e meio vazio... não acredito em felicidade plena. Acredito que a vida é feita de um dia após o outro, e que devemos buscar a felicidade sempre, aceitando as pedras no caminho, tentando ao máximo aproveitar todas as situações para se conhecer melhor, procurar saber exatamente qual o caminho que poderá te fazer mais feliz (não sei se existe tal caminho, mas tem umas placas em são paulo que indicam para o paraíso).

Alguns dias serão ruins; muitos outros serão bons; terão aqueles raros maravilhosos, para onde sua mente voltará muitas outras vezes depois; e também os péssimos, nos quais sair da cama não deveria ser uma opção.

Sou humano, tenho infinitas emoções, sensações, sentimentos. A ideia é que, a compreensão do copo como meio cheio ou meio vazio, depende da perspectiva que o olhar toma ao enxergar o copo. Os  sentimentos naquele momento. 

Como ouvir a uma música. As vezes você ouve uma música em um momento triste da sua vida e pronto, toda vez que ouvir ela, lembrará da sensação ruim, mas não quer dizer que a música seja triste ou fale sobre tristezas.

Mas acho que a verdadeira questão está no fato do líquido no copo nunca aumentar ou diminuir. Está sempre no mesmo nível. Acho que é isso que temos que entender. A vida é regular e constante. Os minutos demoram os mesmos 60 segundos para passarem nos dias bons e nos ruins. O que muda é nossa compreensão do tempo, pois o foco está nas ações, não nas reflexões.

A música acabou.

Olho pro lado com sede. Hoje, meu copo tá meio cheio.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

love has a nasty habbit of disappearing over night


Sugestão de música para acompanhar o post:

The Beatles - i'm looking through you



Depois que decidiram morar juntos, ele acordava todos os dias antes dela. Abria os olhos e logo a procurava ao seu lado, admirando seu semblante, sempre agradecendo a Deus o presente que lhe fora dado. Ela era linda, alegre; acordava todos os dias de bom humor e logo transformava o ambiente. Logo no início do namoro ela o ajudara a se organizar, a largar o fumo, a cortar periodicamente as unhas (até as dos pés)!

A amava muito, fazia tudo por ela.

Cuidava do café, a levava ao trabalho, ligava para saber do seu dia; sempre levava uma surpresinha na hora de buscá-la. Sempre!

E foi assim, com muito empenho, que viveram por 10 meses morando juntos.

No terceiro mês, o café para ela não era mais necessário, pois na empresa sempre tinha comida, e assim economizavam. No quinto mês os chefes da empresa não queriam mais os funcionários nos celulares durante o expediente. No oitavo mês ficou mais fácil deixá-la no metrô para que não pegassem tanto trânsito no caminho do trabalho dela.

Os amigos dele questionavam todas essas mudanças, que ela não via que tudo isso interferia não só na vida dela, mas na dele também e etc. Ele, buscando parecer estar sempre tranquilo, respondia que eram circunstâncias da vida, mudanças comuns de rotina que o dia-a-dia nos impõe. Não queria pensar naquilo. E seguiu amando-a. Mas os amigos 
haviam lhe deixado com uma pulga atrás da orelha.

À noite, já em casa, tocou no assunto da maneira mais sutil que conseguiu. Perguntou se ela não ficava chateada por todos os pequenos detalhes que constituíram o relacionamento deles estarem desaparecendo da rotina. Ela desconversou. Disse que todos os casais passam por fases, e que ele era muito criança em achar que são essas pequenas coisas (a falta delas no caso) que determinariam um relacionamento; os adultos têm vidas próprias, e os indivíduos de um casal não deveria se privar disso.

Depois dessa conversa, ele começou a fazer academia e jogar voley no clube após o expediente. Por conta disso, chegava meio tarde em casa, e passou a não ir mais a padaria ou supermercado buscar as surpresinhas. A endorfina passou a curar o vazio que vinha sentindo, e que não sabia o que era.

Um pouco depois de completarem 10 meses em que moravam juntos, ele acordou atrasado, pela primeira vez na vida! E não a procurou a seu lado. Não a olhou e nem bateu seu papo diário com deus. Tomou seu banho correndo pensando no atraso. Justo ele, tão responsável, tão regular, tão sistemático. Se trocou, não a acordou e foi embora para o trabalho, sozinho, sem se lembrar de sua amada. Deixou seu celular em casa, pela primeira vez na vida!

Naquele dia se forçou a trabalhar mais e, depois do expediente, resolveu dar uma malhada mais forte, mais longa.

Chegou em casa tarde, ela puta.

Onde estava? Porque não a acordou pela manhã? e o celular? e o café? e as surpresinhas? e ela ter de ir de metrô para o trabalho?

...


Não sabia o que dizer a ela. Havia passado o dia inteiro com todas essas perguntas na cabeça, mas se forçou a focar sua atenção nas tarefas do dia para evitar a reflexão e a chegada em conclusões não precisas (ou não agradáveis).

Na verdade, algumas dessas questões estavam em sua cabeça há muito tempo, ele só não estava querendo processá-las de forma inteligível.

Ela queria respostas.

Ele em silêncio.

Foram dormir sem resolver.

Quando ela acordou no dia seguinte, ele não estava mais lá, e não mais voltou.

Ele? Naquele dia, acordou sem seu despertador. A procurou; olhou-a sem a admirar. Ela não parecia diferente, mas havia mudado. Olhou além dela; não era mais a mesma.

Levantou, fez uma grande mala, e se foi. 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Retrato de uma vida comum e solitária !


Sugestão de música para acompanhar o post:

Led Zeppelin - Rock And Roll


Cada vez que sai na rua, indo ou voltando do trabalho com seu mp3 nas alturas e um par de óculos escuros espelhados, ela busca no rosto, no corpo, no sorriso, no olhar de cada um dos homens com quem cruza, um amor, uma paixão, uma nova razão.
A cada dia, elege um como seu mais novo amor.
E a escolha é feita assim, na hora! Bateu o olho e já sabe que, naquele dia, não viu e nem verá algo parecido.

Sua mente parece um roteiro de comédia romântica enlatada podre hollywoodiana. Imagina-se em lugares com o novo amor, cria apelidos, dá nome aos futuros filhos. Questiona-se sobre qual seria o estilo de música que ele gosta, de locais que frequenta, de amigos que têm, de comidas preferidas, as características positivas e negativas que possui, e pensa se todo esse pacote imaginário daria certo com seu jeito.
Quando percebe, já está na porta de sua casa.

Neste momento, depois de sua mente tanto criar, a imagem do novo amor já está embaçada, fora de foco, sumindo a cada segundo.
E por mais esforço que faça, a sua mente já viajou tanto nas suposições criadas sobre um novo amor, uma nova relação, que não consegue mais visualizar seu amado.
E o amor acaba.
Assim, como começou.


Em casa: liga o computador, abre a geladeira, pega uma garrafa de água, enche um copo até a metade (sempre até a metade), deixa o copo ao lado do computador enquanto toma um banho rápido. Depois, só computador. Não conhece nenhum dos seus amigos virtuais. É chat, blog, twitter, orkut, facebook, Msn.
E nada é real.


Antes de dormir, toma as pilulas de suplemento alimentar, liga a TV em algum reality show e bebe dois copos de Whisky. Quando se dá conta, o alarme do celular está tocando e já é hora de ir mais uma vez para o trabalho.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O Retorno do Jedi

Sugestão de música para acompanhar o post: 
Lenine e Julieta Venegas - Miedo 


Hoje eu acordei diferente. Não sei se foi o fato de estar acordando com uma nova idade, se foi a soma de acontecimentos recentes, se é a perspectiva boa de um ano diferente, mais leve, mais alegre. 
Fato é que estou vendo o mundo diferente.
E foi com olhos novos que comecei a enxergar coisas que estavam logo alí, embaixo do nariz.

Lí Leminski, lí Soares, lí Carvalho, e de repente me vi aqui, tirando o vazio de dentro. Para minha surpresa, o vazio, na verdade, estava cheio!!!

     "ALÉM ALMA (UMA GRAMA DEPOIS)

    Meu coração lá de longe
faz sinal que quer voltar.
    Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.
    Pra que me serve um negócio
que não cessa de bater?
    Mais me parece um relógio
que acaba de enlouquecer.
    Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bem assim,
    e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?"

Paulo Leminski

Welcome back, my heart !!!